Pesquisa Matéria desse Blog

quarta-feira, 5 de agosto de 2026 | 20:03 | 0 Comments

RELIGIÃO: Principais igrejas que seguem a linha sabatista no Brasil

O sábado, correspondente ao sétimo dia da semana, é considerado por diversas igrejas cristãs como um dia santo, separado para descanso, adoração e dedicação exclusiva a Deus. Essas comunidades entendem que essa prática foi estabelecida pelo próprio Criador desde a criação da humanidade, conforme registrado em Gênesis 2:2-3, quando Deus descansou, abençoou e santificou o sétimo dia. Posteriormente, esse princípio foi reafirmado nos Dez Mandamentos, em Êxodo 20:8-11, com a ordem: "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar" Ensinamento que prospera até a atualidade.

Para essas denominações, a observância do sábado vai além da simples interrupção das atividades profissionais. O dia é dedicado ao culto, ao estudo das Escrituras, à convivência familiar, ao fortalecimento da comunhão entre os irmãos e ao desenvolvimento de ações sociais, missionárias e filantrópicas. Trata-se de um tempo reservado para o crescimento espiritual, o serviço ao próximo e a renovação física e emocional, refletindo o propósito original estabelecido por Deus.

Ao longo da história do cristianismo surgiram diversas igrejas e movimentos religiosos que preservam essa compreensão bíblica sobre o sábado. Embora possuam diferenças doutrinárias em outros aspectos da fé, compartilham o entendimento de que o sétimo dia continua sendo um tempo especial de adoração e descanso.

A relação apresentada a seguir reúne diversas igrejas e organizações religiosas que, de alguma forma, sustentam a doutrina da observância do sábado como dia separado para descanso, culto ou atividades religiosas. Em uma lista simples, fizemos uma separação de mais de 350 igrejas, porém aqui relacionamos somente aquelas que conseguimos comprovação. Reconhecemos, entretanto, que esta lista pode não ser completa. Caso algum leitor identifique a ausência de outra igreja ou movimento que também observe o sábado, colocamo-nos à disposição para receber essa informação e atualizar este material, contribuindo para que o levantamento seja cada vez mais abrangente e preciso.

1. Principais denominações cristãs sabatistas

São igrejas organizadas, com presença nacional ou internacional.

  • Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD)
  • Igreja Adventista da Promessa (IAP)
  • Igreja Batista do Sétimo Dia
  • Igreja de Deus do Sétimo Dia (Church of God – Seventh Day)
  • Igreja Apostólica de Deus do Sétimo Dia
  • Igreja Cristã do Sétimo Dia
  • Assembleia Cristã do Sétimo Dia
  • Igreja Batista Evangélica do Sétimo Dia
  • Igreja Batista de Deus do Sétimo Dia
  • Igreja de Jesus Cristo do Sétimo Dia
  • Igreja de Cristo do Sétimo Dia
  • Igreja Remanescente do Sétimo Dia
  • Igreja Evangélica Sabatina
  • Igreja da Guarda do Sábado dos Dez Mandamentos
  • Igreja de Deus da Observância do Sábado
  • Igreja Independente de Deus do Sábado

2. Movimentos adventistas derivados e reformistas

São grupos que surgiram a partir do adventismo histórico.

  • Igreja Adventista do Sétimo Dia – Movimento de Reforma
  • Igreja Adventista da Reforma
  • Igreja da Reforma Adventista do Sétimo Dia
  • Igreja Adventista da Promessa Conservadora
  • Igreja Adventista Pentecostal
  • Missão Adventista da Promessa
  • Missão Adventista do Sétimo Dia
  • Igreja Adventista do Sétimo Dia – Última Voz de Misericórdia
  • Igreja Adventista do Sétimo Dia Renovada
  • Igreja Adventista do Sétimo Dia Pentecostal
  • Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
  • Igreja Adventista do Sétimo Dia – Alto Clamor
  • Igreja Adventista do Sétimo Dia – Os Remanescentes
  • Igreja Adventista do Sétimo Dia – O Último Remanescente de Israel
  • Igreja Bendita Esperança do Sétimo Dia
  • Igreja Remanescente de Deus
  • Igreja Remanescente do Povo de Deus

3. Igrejas pertencentes ao movimento "Church of God"

Essas igrejas têm origem no movimento sabatista norte-americano iniciado no século XIX.

  • Igreja de Deus Unida (United Church of God)
  • Igreja Universal de Deus
  • Igreja Restaurada de Deus
  • Igreja do Grande Deus
  • Igreja do Deus Vivo
  • Igreja Eterna de Deus
  • Igreja de Deus Internacional
  • Igreja de Deus da Filadélfia
  • Igreja de Deus Proclamando o Reino
  • Igreja de Deus da Restauração
  • Igreja de Deus Corpo de Cristo
  • Igreja Comunidade de Deus do Sétimo Dia
  • Igreja Cristã de Deus
  • Christian Church of God

4. Igrejas e congregações messiânicas sabatistas

São comunidades que observam o sábado e mantêm elementos da tradição judaica.

  • Congregação Beth Messiah
  • Congregação Beth Shalom
  • Congregação Beth Simcha
  • Congregação Beth Yeshua
  • Congregação B'nai Yeshua
  • Congregação Ohr Chadash
  • Congregação de YHWH
  • Congregação de Yahweh
  • Congregação Internacional de Javé
  • Congregação Atzzehret Yeshua Hakoom
  • Sinagoga Messiânica B'nai Yeshua
  • Sinagoga Messiânica Ruth Efrateu Bitshuvah
  • União da Congregação Judaica Messiânica
  • Casa de Israel
  • Ministério Messias de Israel
  • Judeus Messiânicos
  • Movimento Internacional Messiânico Judaico
  • Assembléias de Yahweh
  • Assembléia de Yah
  • Assembléia de Elohim
  • Assembléia de Yahweh Messias
  • Assembléia de Yahweh em Yeshua
  • Assembléia da Nova Aliança de Yahweh
  • Assembléia da Nova Aliança de Javé

5. Igrejas independentes sabatistas

São igrejas autônomas ou de atuação regional.

  • Assembleia de Deus do Sétimo Dia
  • Congregação Cristã do Sétimo Dia
  • Igreja Nova Vida do Sétimo Dia
  • Igreja Cristã Nova Vida do Sétimo Dia
  • Igreja Filhos da Promessa
  • Igreja Sabatina do Estudo Bíblico
  • Ministério Crentes do Dia de Sábado
  • Igreja Cristã Amigos do Sábado
  • Igreja Mundial de Deus do Sábado
  • Igreja dos Cristãos
  • Igreja do Espírito de Jesus Sabbath
  • Igreja Evangélica Internacional dos Soldados da Cruz de Cristo

6. Associações e conferências sabatistas

Não são igrejas locais, mas organismos de cooperação.

  • Conferência dos Batistas do Sétimo Dia dos Estados Unidos e Canadá
  • Conferência Britânica dos Batistas do Sétimo Dia
  • Conferência Australasiana dos Batistas do Sétimo Dia
  • Associação das Assembleias Pentecostais do Sétimo Dia
  • Associação Geral de Davidians SDA
  • Associação dos Músicos do Sábado Bíblico

Ademir Rodrigues, pastor na Igreja Adventista da Promessa a mais de dez anos e nos últimos anos presta seus serviços na organização no bairro do Itaim Paulista (SP)

Será que existe a necessidade real de ser batizado?




Um dia um, um homem se aproximou de Jesus e lhe disse; “Senhor, permite-me que, primeiramente, vá sepultar meu pai”. Jesus, porém, disse-lhe: “Segue-me e deixa aos mortos sepultar os seus mortos” (Mat 8.21,22).

Talvez o homem deve ter perguntado o que Jesus quis dizer? Talvez ele tenha dito a Jesus; “Não Jesus! Acho que o Senhor não entendeu. Minha mãe, meus irmãos, meus avós estão vivos, chorando. Quem morreu foi meu pai. 

E claro que Jesus teria repetido novamente; “-Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos, vem e segue-me!”

Em João 3 um homem perguntou a Jesus; “Senhor! O que eu preciso fazer para entrar no Reino de Deus?”

Jesus respondeu; “Você precisa nascer de novo. Quem não nascer de novo, não pode entrar no Reino de Deus.”

Este homem poderia também dizer; “Como é isto? Como pode um homem nascer sendo velho? Como pode entrar no ventre de sua mãe e nascer de novo?” Mas Jesus tornou a responder: Se você não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus.

Você quer entrar no reino e estar com o Rei dos reis? Essa é a condição: ser sepultado nas águas do batismo para ter o direito.

O arrependimento dos erros que comentemos na nossa vida sem Cristo deve ser verdadeiro, e ele leva à nossa submissão a vontade de Deus. O conselho de Pedro é que uma vez alcançado este ponto, o próximo passo que precisamos tomar é que “cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados” (Atos 2:38).

O batismo ensinado na Bíblia é uma das práticas mais antigas do cristianismo. Ela está longe de ser inútil ou arcaica, pois carrega e preserva um enorme significado, além disso nos trás segurança infinda.

O batismo marca o início de uma nova vida para todos nós. Paulo diz que o batismo é como um chamado para que “vivamos uma vida nova” Rom 6:4, e no 11 ele fala que, em vez de nós enfrentarmos à morte nos tornamos “vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

O batismo nas águas é uma sinal e declaração pública exterior de uma mudança no nosso interior que desejamos ardentemente.

Paulo escrevendo aos Romanos (6:3-4) fala a ligação que existe entre a morte de Cristo e o nosso batismo: “Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com Ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova”.

Paulo ainda dizendo no versículo 6: “Pois sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não mais sejamos escravos do pecado”.

Além de outras passagens a Bíblia está repleta de razões pelas quais precisamos passar pelo batismo.

Jesus considerou a cerimônia do batismo tão importante que encarregou a Sua Igreja a ir por todo o mundo batizar. E disse: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mat 28:19-20).

Você deve ser batizado para ter direito a salvação, morrendo para o mundo de erros e nascendo uma nova vida em Cristo Jesus. Entendeu?

Pr Ademir Rodrigues
Tel 11 98125-4559


‘Ausência do estado’ leva igreja a ser instituição mais confiável

Pesquisa mostra instituição à frente do poder público; situação levanta questionamentos tendo em vista cada vez mais a influência religiosa na política


Crédito: Weslley Galzo/Agência Mural Fachada de igreja na zona leste de SP

Locais que oferecem cursos, serviços e atuam onde há ausência do estado. O que pode parecer uma associação de qualquer região da cidade é, na verdade, como moradores descrevem as igrejas.  


Estes foram alguns dos pontos citados por quem vive nas periferias de São Paulo como motivo para apontar os estabelecimentos religiosos como a instituição que mais contribui para a qualidade de vida na cidade. 

O resultado foi visto na pesquisa “Viver em São Paulo – Qualidade de vida”, realizada pelo Ibope a pedido da Rede Nossa São Paulo, divulgada no dia 23 de janeiro.

As igrejas ostenta  a liderança dessas pesquisas desde a primeira, em 2020, a igreja ostenta esse título. Em 2019, 22% apontaram essas instituições, seguido da prefeitura com 19% e de empresas que atuam no bairro, com 17%.  

O tema tem levantado discussões, inclusive pelo peso das igrejas na política e de como bancadas ligadas à religião têm conseguido ter influência tanto a nível nacional quanto local.

Frequentadores dessas instituições e especialistas para entender qual a imagem que a religião tem na cidade e porque, uma instituição que não tem relação com o poder público, é considerada a mais importante por quem vive nos bairros da capital.


AJUDA E AUSÊNCIA DO ESTADO

Luciano de Brito Alves Lima, 27, é membro da igreja pentecostal Experiências com o Criador e missionário do Jocum (Jovens com uma missão). Nascido em Tietê, no interior paulista, ele atua em bairros da capital e afirma que e a confiança vem do fato de as igrejas atuarem nos pontos em que o estado é “ausente”. 

“Um dos papeis da igreja é diminuir as injustiças e buscar trabalhar nelas”, afirma. “Quando vemos crianças que estão sem o reforço escolar, que estão em situação de vulnerabilidade, é responsabilidade da igreja estar incomodada e buscar fazer algo em relação a isso”, relata.

“A  igreja é um meio que ajuda muito as pessoas, até mesmo quem não frequenta”, afirma Isabelle Silva de Oliveira, 21, que frequenta desde a infância uma igreja evangélica no Parque do Carmo, na zona leste. Lá, diz ter acompanhado trabalhos sociais desde cedo.

Essa ‘substituição’ de atividades que o estado não oferece ganha peso pela proximidade das instituições com o bairro. Segundo a prefeitura, são 5.779 estabelecimentos no bairro. Reportagem da Folha de S. Paulo aponta que metade deles surgiram nos últimos 25 anos. 


Crédito: Arquivo Pessoal - Familia CZL é formada por grupo da igreja
Essa alta fez com que esses espaços também fossem procurados para vários tipos de atividades, como as culturais. O assistente social Weslley Raí Teixeira Feitosa, 28, por exemplo, aprendeu bateria na igreja que frequenta há três anos – a Somos Um, no distrito de José Bonifácio, zona leste da capital.

Foi ali que passou a fazer parte do grupo de rap cristão nomeado “Família CZL”, no qual é um dos vocalistas. “O intuito do grupo é trazer a palavra para as pessoas que necessitam. Através do rap levamos isto para as outras periferias em ações sociais”, relata.

A mãe de Weslley, Jacira Teixeira Feitosa, 56, que parou os estudos na sexta série do ensino fundamental, voltou a ter aulas de alfabetização em uma igreja católica da região, a Paróquia Santo Agostinho. 

Assim como o filho, ela frequenta uma instituição evangélica, isto não a impediu de estudar em uma igreja de outra doutrina. “Durante as aulas não se fala de religião, é só sobre alfabetização.”

“Acho que esse é o papel das igrejas, abrir as portas não só para cultos. Ser um lugar da sociedade, lugar de refúgio, de escape, não só um lugar de orações, tem que ser um lugar de conhecimento”, diz Weslley Raí Teixeira Feitosa

Ainda no distrito de José Bonifácio, no bairro Parada Quinze, no limite com o distrito de Guaianases, a Igreja Batista Parada XV tem aulas de judô, atendimento de fisioterapia para terceira idade, aulas de música e, em parceria com o CEU Jambeiro, todo sábado de manhã eles realizam treinos de futebol infantil no campo da escola. As ações são bancadas com a doação dos membros à igreja. 

“Aqui a igreja é um ponto de referência no bairro”, afirma o empresário Edilson Pedro Diniz, 46, membro há pelo menos 10 anos da igreja. Ele coordena um projeto com menores infratores da Fundação Casa.

“Temos alguns jovens do judô com chances de serem campeões, hoje são atletas do Corinthians, são federados. Muitos garotos estão sendo tirados da ‘rua’ com estes projetos”, diz o representante comercial Wellington dos Santos Silva, 38. 

“Muitas vezes nas regiões de periferias, nas extremidades, a igreja é a única que tem o respeito”, afirma o auxiliar administrativo Nathan Ribeiro Cardoso da Silva, 20, morador de São Miguel Paulista, na zona leste, e que se denomina deísta(acredita em Deus, mas não nas versões das religiões). 

“Um usuário de drogas, que a polícia – o Estado – trata com truculência, que a iniciativa privada tenta internar, ou simplesmente higienizar a cidade querendo exterminá-los, a igreja chega com o amparo. Esse usuário vai ter o respeito”, comenta.


Crédito: Arquivo Pessoal - Ação de igreja em Itaquera



SINAL VERMELHO

Uma das coordenadoras do estudo foi a urbanista Carol Guimarães, 36, da Rede Nossa São Paulo. Ela afirma que a lacuna criada pela ausência do estado na garantia de equipamentos culturais e de apoio social permite que a igreja atue de forma prática.

Ela adverte que a taxa elevada de menções à igreja na pesquisa “mostra um sinal vermelho” para a sociedade, que ainda precisa ser analisado.

“A igreja dá tanto um apoio social, como cultural e espiritual. Consegue unir vários elementos, especialmente nesses lugares mais vulneráveis”, comenta. Para ela, o caráter “coletivista” da igreja também tem peso em uma cidade como São Paulo. “A igreja cria comunidades, essa rede de apoio”. 

O filósofo e cientista social Daniel Menezes Delfino, 44, estuda o movimento sindical e movimentos sociais desde 2004. Ele afirma que é preciso assinalar que quando se fala em “igreja” é necessário observar as mudanças ao longo dos últimos anos. 

Antes, o papel de prestar serviços nos bairros era cumprido pela igreja católica, muitos ligados a teologia da libertação. “Hoje esses agentes foram substituídos pelas igrejas protestantes neopentecostais, com um discurso muito mais individualista, meritocrático e empreendedorístico, no que é chamado de teologia da prosperidade”, diz o filósofo Daniel Menezes Delfino. 

“Apesar da mudança, é junto a esse setor que a população periférica encontra acolhimento”, completa. 

Além disso, ressalta que o desprestígio de outras instituições como sindicatos, partidos, movimentos sociais e associações de moradores, levou ao quadro de ampliação da relevância das igrejas. 

Daniel explica que ex-integrantes dessas instituições migraram para a busca de cargos eletivos, deixaram de estar presentes organizando as populações na luta por políticas públicas e passaram a estar na condição de gestores dessas políticas. “Ocorre assim um esvaziamento das lutas coletivas, bem como um desprestígio pessoal desses ex-militantes convertidos em gestores e das instituições que dirigiam”, pontua.

“Para que haja uma mudança nesse quadro, seria preciso uma intervenção que trouxesse melhorias materiais concretas, por meio de outros métodos que não os da motivação pela ideia de prosperidade.”

Fonte: Agencia Mural

SAÚDE: Dentista cria "Dentão" no Itaim Paulista

Levar saúde bucal às crianças de forma divertida e sem medo. Essa é a missão do cirurgião-dentista Iago Ferreira de Souza, de 31 anos, que atua na Unidade Básica de Saúde (UBS) Encosta Norte, no Itaim Paulista, Zona Leste de São Paulo. Para aproximar os pequenos do universo da odontologia, ele criou o personagem "Dentão", utilizado em atividades educativas realizadas nas escolas da região.

A iniciativa nasceu durante as ações do Programa Saúde na Escola (PSE), desenvolvido em parceria entre as secretarias municipais de Saúde e Educação. Vestido como o personagem, Iago ensina hábitos de higiene bucal de maneira lúdica, ajudando as crianças a compreenderem a importância da escovação, da prevenção e das visitas regulares ao dentista.

Segundo o profissional, o personagem vai além da diversão. "O Dentão aproxima os profissionais das crianças e nos ajuda a diminuir o medo do consultório odontológico, tornando esse primeiro contato muito mais acolhedor", explica.

Da escola pública ao atendimento humanizado

Natural de Lavras da Mangabeira, no Ceará, Iago estudou toda a vida na rede pública de ensino. O interesse pela Odontologia surgiu após trabalhar em um consultório odontológico em sua cidade natal. Em 2014, conquistou uma bolsa do Programa Universidade para Todos (Prouni) e ingressou no curso de Odontologia da Universidade de Guarulhos (UNG).

Durante os cinco anos de graduação, conciliou estudos e trabalho para custear os materiais exigidos pelo curso. Morando em Osasco, estudando em Guarulhos e trabalhando na capital paulista, enfrentou uma rotina intensa, mas manteve o objetivo de atuar na saúde pública.

Vocação para cuidar de quem mais precisa

O interesse pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo atendimento às populações mais vulneráveis acompanhou Iago desde a faculdade. Em 2020, ingressou na Residência Multiprofissional em Saúde da Família da Santa Marcelina Saúde, onde aprofundou sua formação em atendimento humanizado.

Após concluir a residência, passou a integrar a equipe da UBS Encosta Norte, no Itaim Paulista, atendendo pacientes de todas as idades. Sua atuação, porém, ultrapassou os limites da unidade de saúde.

Durante o período de residência, participou voluntariamente de estágios em comunidades de grande vulnerabilidade social. Trabalhou na Policlínica Areia Branca, em Santos (SP), atendendo moradores do Dique da Vila Gilda, considerado o maior complexo de palafitas da América Latina. Também atuou na Clínica da Família Maria do Socorro Silva e Souza, na Rocinha, no Rio de Janeiro, além de desenvolver ações humanitárias pela ONG Sementes da Saúde, em Benin, na África Ocidental.

Criatividade a serviço da saúde

Todas essas experiências reforçaram sua convicção de que o atendimento em saúde deve ser técnico, mas também acolhedor. Foi dessa visão que nasceu o personagem Dentão, hoje reconhecido por crianças e famílias atendidas nas escolas da região.

Para Iago, educar também faz parte do cuidado. Ao transformar o aprendizado em brincadeira, ele contribui para que as crianças criem uma relação positiva com a saúde bucal desde cedo.

Fora do ambiente de trabalho, o dentista continua dedicando parte do seu tempo ao voluntariado. Entre as experiências que guarda com carinho estão as rodas de dança na África, partidas de futebol com crianças da Rocinha e o convívio com comunidades ribeirinhas da Amazônia.

"Nesses encontros é que eu sinto que cresço como pessoa", afirma.

A história de Iago mostra como criatividade, empatia e compromisso social podem fazer a diferença na saúde pública, aproximando profissionais da comunidade e tornando o atendimento mais humano, especialmente para as crianças.